“Ficavam lá [nos departamentos da câmara] durante anos ou meses”, contou ao Observador. As primeiras facturas não registadas que encontrou, e que na queixa que enviou à IGF diz que podem constituir fraude, ilustram três casos diferentes: a primeira fatura, emitida pela Universidade de Coimbra, referente a prestação de serviços de estudo de uma rede ciclável na cidade de Tomar, a segunda pela empresa Modelstand, referente a serviços prestados em 2012 e apresentada em 9 de Outubro de 2013, e, por último, ao escritório de advogados PLMJ, por vários serviços.
No segundo lote de documentos, respeitantes a mandatos anteriores (desde 2008) – do presidente da câmara Fernando de Sousa, do PSD – , os montantes das faturas variavam e diziam respeito aos mais variados serviços, desde pagamentos de gás a eletricidade ou a reparações de carros. “Não há um padrão”, responde Anabela Freitas.
“Não tenho liquidez para pagar 3,8 milhões de euros”, queixa-se a autarca. Para as faturas registadas, Anabela Freitas fez acordos de pagamentos com os fornecedores. Para as outras, espera pela resposta da IGF para decidir uma solução.
O pesadelo das contas em Tomar pode ficar ainda mais grave. Há vários processos em tribunal contra o município. O maior diz respeito a uma dívida que ronda os 750 mil euros, incluindo juros, à Águas do Centro, do grupo Águas de Portugal. Além deste processo, a câmara recebeu já este ano uma injunção para pagamento de 200 mil euros, da qual vai recorrer.
A câmara não pediu para entrar no Programa de Apoio à Economia Local (PAEL), que foi lançado pelo Governo para resgatar as câmaras com dívidas avultadas a fornecedores. Como tal, a presidente espera que o Fundo de Apoio Municipal (FAM) entre em vigor, para poder pedir ajuda para pagar a fornecedores as dívidas que tem em atraso. Neste momento, de acordo com as contas que enviou para a Direcção-Geral das Autarquias Locais, a Câmara de Tomar não cumpre a lei e paga a 367 dias, quando o limite, por lei, são 90 dias. O caso está agora nas mãos da IGF.
O Observador tentou contatar o ex-presidente da câmara, Carlos Carrão, mas até ao momento não foi possível. À data a que se reportam as faturas, Miguel Relvas era o presidente da Assembleia Municipal (cessou o mandato em 2012, já como ministro dos Assuntos Parlamentares). Ao Observador, o ex-ministro-adjunto de Passos Coelho adiantou “não ter conhecimento” de futuras escondidas. “Não tenho nada a ver com isso”, disse.
Copiado na íntegra pelo "Observador"
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