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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Exemplo de vitalidade

É residente no lugar de Grou, Asseiceira, concelho de Tomar, mantém aos 106 anos uma lucidez fora do comum para quem já atravessou todo o século XX.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Uma paixão por Tomar

Devem-se contar pelos dedos os que realmente gostam e fazem algo pela sua terra.
Carlos Silva, ex-vereador na Câmara de Tomar, entre outros cargos de relevante importância, fá-lo diariamente com a sua enorme capacidade e aptidão para a fotografia, publicando fotos nas redes sociais da Internet, ajudando assim na divulgação e promoção do deste rico concelho.
Embora ainda não tenha tido o prazer de conhecer pessoalmente Carlos Silva, já tive a oportunidade de falar com ele diversas vezes por mensagem, onde lhe comuniquei que as suas fotografias eram dignas de uma excelente exposição fotográfica pela sua qualidade e beleza. Tomar, as suas gentes e todos os visitantes ficariam encantados e agradeceriam ter a oportunidade de terem acesso a tão belas imagens.
Leia a entrevista de Carlos Silva no jornal "O Templário".
Foto: Carlos Silva

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

André Bispo - Uma voz que promete

O "Tomar, a Cidade" encontrou uma voz tomarense promissora. Trata-se de André Bispo, 19 anos, natural da cidade Templária. Frequenta engenharia informática e diz-se “uma pessoa comum, igual a todas as outras”, ou nem tanto assim “comum devido à sua paixão por música.”

Aos 16 anos, frequentava o André o 10º ano de escolaridade que tudo começou, diz o estudante de engenharia informática. “Umas amigas começaram a aprender a tocar guitarra” ao que André ficou encantado quando teve o seu primeiro contacto com “aquele lindo pedaço de madeira esculpido cuidadosamente com uma única finalidade, o som.” Mas sucedeu o que sucede a toda a gente quando toca numa guitarra a primeira vez, ou seja, barulho. André ficou tão encantado que durante uma “semana não pensou noutra coisa”, adquirir uma guitarra.
Mas o seu “dia D” chegou. Juntou as suas economias e dirigiu-se a uma loja de música para realizar um dos seus sonhos, ter a sua guitarra clássica.
Seguiram-se dias árduos para André. “Longas tardes e noites de aprendizagem” pois segundo o mesmo afirma convictamente “aprender a tocar guitarra não é fácil nem rápido, é algo que exige tempo e dedicação."

Após alguns meses de pesquisa pelas páginas do site Youtube com palavras relacionadas a “How to Play guitar e de padecer de alguns dedos calejados” André sentiu “os primeiros sinais de fraqueza” onde assegura que “esta é parte em que mais de 50% das pessoas desistem”.
André sentia-se agora “estagnado”, era incapaz de “encontrar novas músicas para tocar”, o que o desanimou um pouco. Mas não baixou os braços, até porque resolveu “passar para o próximo nível”, isto é, comprar uma nova guitarra.
A sua nova aquisição, uma “Cort electro-acústica” fê-lo evoluir muito, levando sempre que possível a sua guitarra para todo o lado para que em todos os “intervalos ou pedacinhos livres” pegasse nela e a fizesse tocar.

Seguiu-se uma descoberta. A voz de André. Como normalmente acontece com todos os guitarristas, a sua tendência é a de cantar enquanto tocam. André não fugiu à regra, gerando-lhe alguma surpresa, pois apercebeu-se que todos ao seu redor lhe diziam que cantava bem. Não pensou “duas vezes” e pôs “esta tese à prova". Sentou-se à frente do seu computador e começou “a interpretar um tema muito conhecido de Gary Jules”. Concluído o vídeo colocou-o no Youtube tentando “obter algumas opiniões de um mundo exterior” ao seu. O resultado foi muito favorável o que levou André “a apostar não só na guitarra, mas também na voz."

Aos 18 anos André inscreve-se em aulas teóricas para aperfeiçoar o seu conhecimento sobre música, local que frequentou até terminar o ensino secundário.
Durante este pequeno espaço de tempo (3 anos), André foi colocando covers no Youtube de músicas a seu gosto, mas queria mais, por isso resolveu compor a sua própria música, a qual atribuiu o nome de “Where You Are”. Era a sua primeira música original, a qual surpreendeu André pela positiva devido à sua popularidade. “Foi um passo bastante positivo e uma realização pessoal” o sucesso que alcançou, dentro das suas expectativas.

André foi então “convidado a fazer parte de uma banda de garagem formada por amigos”, onde actualmente diz “que cada vez que tocam é uma sessão única.
Entretanto André preparava outra música original. Atribuiu-lhe o nome “Took My Life”, onde na sua realização contou com a preciosa colaboração do seu amigo Carlos Andrade, devido a este o ajudar a “libertar” a voz de André e ter um bom equipamento para a gravação da música. Após o lançamento de mais uma música original de André, que o sucesso deste tem aumentado, principalmente dentro das redes sociais na Internet.
Quando confrontado para participar nos Ídolos ou outro concurso de música, André responde que “reside no simples facto de não querer abandonar os estudos.” Afirma “que por ter uma paixão pela música, Portugal atravessa uma grande crise em todos os sectores profissionais, onde o da música não é excepção.” Refere ainda que “infelizmente quer a música, quer o teatro em Portugal são áreas muito débeis, tornando-se assim muito difícil encontrar emprego, sendo um mercado estagnado.

Por fim, André agradece “a toda a gente pelo apoio” que lhe têm prestado, pois devido “a eles nunca conseguiria alcançar o sucesso dentro das redes sociais.

Pode seguir o André na sua página do Facebook ou no seu Canal do Youtube.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Maia da Luz - a guardiã do templo

Com 91 anos já feitos, Maria da Luz pouco fala e já tem dificuldade em reconhecer a família. É pela voz embargada da filha, Maria de Lurdes, e do genro, Arménio Silva, que conhecemos a história desta tomarense que dedicou grande parte da sua vida, mais concretamente 56 anos, a cuidar e a zelar pela Capela de Nossa Senhora da Piedade. Inicialmente conhecida como Capela da Senhora do Monte, o templo está erguido num local com vista panorâmica sobre a cidade de Tomar.

Nascida no Carril, freguesia da Junceira, a 16 de Março de 1919, Maria da Luz foi trabalhar para Tomar com 11 anos, como empregada doméstica em casa de Augusto Silveira, homem influente na cidade. Tinha 25 anos quando foi convidada pelo pároco local, por intercessão do seu patrão e padrinho de casamento, para zelar pela capela Nossa Sra. da Piedade. Chegou a ganhar 75 escudos por mês (5 tostões por dia), subsídio que lhe foi retirado em 1962 por decisão do padre David, que guiava os destinos da paróquia à data. A única moeda de troca residia no facto de poder viver, sem pagar renda, numa habitação contígua ao templo. Ali casou e teve os seus três filhos (Aníbal, Henrique e Maria de Lurdes) que, por sua vez, também ali lhe deram alguns dos seus netos.

Inicialmente, a casa onde habitava não tinha luz nem água o que obrigava Maria da Luz a ir buscar água à fonte de São Gregório, subindo e descendo os 292 degraus com o cântaro à cabeça. Mais tarde pediu ao presidente da câmara que lhe mandasse encher uma cisterna até que, por fim, lá chegou a água canalizada. O telefone também foi colocado por sua conta e risco. “A minha mãe esteve 34 anos sem casa de banho e 24 anos sem electricidade ou água”, relata Maria de Lurdes, que fez as contas. “Se a capela tem água e luz deve-se à minha sogra que pagou do seu bolso”, ressalva Arménio Silva.

Maria da Luz arrancava as ervas daninhas que cresciam no adro, mudava as flores, lavava e passava as toalhas do altar, limpava o templo e abria e fechava a porta aos visitantes desde que o sol nascia até se pôr. Quase sempre de vassoura na mão, realizava as diversas tarefas com igual afinco. Várias vezes, pagava a alguém para que fossem cortar e desbastar os arbustos para que se conseguisse ver a capela, no monte, a partir da cidade. Ciosa das suas responsabilidades, diz a família que nunca teve direito a férias ou dias de folga. “E quando via alguém estranho a circundar os quintais vizinhos tocava o sino a avisar”, recorda ainda a filha.

Assalto deixa zeladora inconsolável

Maria da Luz trabalhou e viveu na Capela de Nossa Sra. da Piedade quase até aos 82 anos. As suas idas à cidade também eram escassas, apenas para ir ao médico ou às compras. O seu 81.º aniversário ainda chegou a ser celebrado junto à escadaria que todos os anos acolhe o Círio, como comprova uma fotografia onde se vê a idosa a soprar as velas do bolo nesse local.

Um ano antes um episódio triste dita a reviravolta da guardiã do templo. Situada num sítio isolado, a casa de Maria da Luz é assaltada, numa altura em que esta se encontrava a dormir uma sesta, tendo o ladrão levado as suas peças em ouro e todas as chaves, as da capela inclusive. Inconsolável, nunca conseguiu recuperar do trauma e o seu estado de saúde começou a agravar-se, passando a ficar recolhida em casa dos filhos. Actualmente reside na Murteira, freguesia da Madalena, na casa do filho Henrique. Tem sete netos e oito bisnetos.

A vida de Maria da Luz foi vivida sempre em prol da capela. Os filhos recordam que “para a tirar de lá foi muito difícil” e, até há bem pouco tempo, o pensamento de Maria da Luz incidia sempre e só na Nossa Senhora da Piedade. Por este motivo, mesmo debilitada, chegou a fugir da casa dos filhos em direcção ao templo. E quando lhe perguntavam onde ia, respondia sempre: “para o lugar onde pertenço”.

“A minha mãe foi esquecida”

A voz embarga-se sempre que Maria de Lurdes fala da Capela de Nossa Senhora da Piedade, local onde nasceu, cresceu, casou e teve os seus filhos. Em sua casa, na Palhavã, conserva dezenas de fotografias, quadros, pratos decorativos e até uma réplica em miniatura do monumento. Escreveu várias quadras em memória dos tempos que ali viveu e que não consegue ler em voz alta, sem que as lágrimas caiam.

Durante quatro ou cinco anos, ajudou a zelar pela capela e chegou a pedir ao Padre Borga para, juntamente com o marido, dar continuidade ao trabalho da sua mãe mas tal não foi possível, por diversas circunstâncias relacionadas com a Comissão de Culto de Nossa Senhora da Piedade. “A minha mãe foi esquecida. Depois de tudo o que fez, são poucos os que se lembram dela”, aponta com alguma mágoa na voz. Salientam, no entanto, que na última festa do Círio de Nossa Senhora da Piedade, o pároco Frutuoso Matias pediu ao casal que a levassem lá a cima, intenção que não foi possível realizar devido ao debilitado estado de saúde de Maria da Luz. 

Por Elsa Ribeiro Gonçalves
In: "O Mirante"
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