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quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Nabia - A Deusa Pagã do Rio Nabão

No princípio era o Caos… entretanto, na ânsia de encontrar uma explicação para os fenómenos da natureza que o rodeiam, o Homem concebeu inúmeras divindades que além de representar os atributos de tais fenómenos passaram ainda a revelar emoções e sentimentos próprios dos humanos uma vez que eram construídos à sua imagem e semelhança.
Entre tais divindades, Nábia foi uma das divindades mais veneradas na faixa ocidental da Península Ibérica ou seja, a área que actualmente corresponde a Portugal e à Galiza, durante o período que antecedeu à ocupação romana. Na mitologia céltica, Nábia, era a deusa dos rios e da água, tendo em sua honra o seu nome sido atribuído a diversos rios como o Navia, na Galiza e o Neiva e o Nabão em Portugal. Inscrições epigráficas como as da Fonte do Ídolo, em Braga e a de Marecos, em Penafiel, atestam-nos a antiga devoção dos nossos ancestrais à deusa Nábia.
Quando ocuparam a Península Ibérica à qual deram o nome de Hispânia, os romanos que à época não se haviam convertido ainda ao Cristianismo, adoptaram as divindades indígenas e ampliaram o seu panteão, apenas convertendo o nome de Nábia para Nabanus, tal como antes haviam feito com os deuses da antiga Grécia.
Qual reminiscência do período visigótico, a crença pagã em Nábia – ou Nabanus – viria a dar origem na famosa lenda de Santa Iria – ou Santa Irene – cujo corpo, após o seu martírio, ficou depositado nas areias do rio Tejo junto às quais se ergueram vários locais de culto, tendo inclusive dado origem a alguns topónimos como a Póvoa de Santa Iria e, com a introdução do Cristianismo, a atribuição do seu nome à antiga Scallabis, a actual cidade de Santarém.
Bem vistas as coisas, são em grande parte do rio Nabão e das suas nascentes as águas que o rio Tejo leva ao Oceano Atlântico, junto a Lisboa, depois daquele as entregar ao rio Zêzere. E, é nas águas cristalinas do rio Nabão que habita a deusa Nábia e nas suas margens que Santa Iria encontrou o eterno repouso.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Desporto tomarense... em 1933

Decorria o ano de 1933 quando ao dia 9 do mês de Março, o jornal "Goal", semanário ribatejano de desporto, literatura e arte, sendo seu administrador Arsénio de Sousa, publicou um pequeno artigo sobre o estado do desporto tomarense na época em questão.

Ao ler o artigo, até parece actual, falando-se em crise. Uma crise de contágio.
Referência para alguns nomes sonantes merecedores de aplausos pela sua técnica e entusiasmo, tais como José da Silva, Manoel de Oliveira ou Vasco Jacob.

As equipas tomarenses, Sporting Clube de Tomar e União Futebol Comércio e Indústria, mereceram vitórias justas e relativas ao seu enorme valor, mas tudo o tempo levou... Tal como hoje se sucede.
Em Tomar, tal como noutros centros do país, entrou a decadência do desporto, levando entusiastas a uma descrença que se reflecte na assistência aos jogos.

Pelos vistos, parece que estamos mesmo em 2011, mas não, decorria o ano de 1933...

In: Jornal "Goal" enviado por Carlos Gomes


sexta-feira, 22 de julho de 2011

Sabacheira - Breve história

Onde se localiza:
Localiza-se a Norte do concelho de Tomar, ao qual pertence, separando-o do concelho de Ourém. Detentora de uma área total de 34,3 quilómetros quadrados, a freguesia de Sabacheira é composta pelos lugares de Sabacheira, Água Boa, Bárrio, Cacinheira, Calça Pêrra, Casal Cruz da Légua, Casal da Brava, Casal da Igreja, Casal Julião, Casal Teixeira, Casalinho, Casas de Além, Chão de Maçãs (Gare), Chão de Maçãs, Comenda, Estremadouro, Furadouro, Mendacha, Monchite, Pinhal, Quinta de Santo António, Quinta do Vale dos Ovos, Serra de Baixo, Serra de Cima, Serra do Meio, Sobral, Suimo, Vale do Castanheiro, Vale de Lobos, Vale de Sancho, Vale dos Ovos, Vale Meão e Agroal. Confina com as freguesias de Beselga, Carregueiros, Além da Ribeira e Pedreira, pertencentes ao concelho de Tomar, e Alburitel, Seiça, Rio de Couros e Formigais, do concelho de Ourém.

Um pouco de história
O território que compõe a actual freguesia da Sabacheira foi habitado desde épocas remotas, como comprovam os inúmeros vestígios pré-históricos aqui encontrados, como é o caso das antas.

Grande parte do povoamento realizou-se através da instituição de casais, tendo sofrido, ao longo dos tempos, diversas anexações e desanexações de lugares importantes no seu desenvolvimento. Em 1550, a freguesia incluía áreas que atualmente não lhe pertencem, como é o caso de Formigais.

De fato, num documento do século XVI, Formigais ainda surge referido como uma povoação de Sabacheira: «(...) começa à Fonte do Açorrague que é ao Vendaval e daí se vai pela estrada que vai para Formigais, até aos lavradios de João das Maçãs e daí atravessa a ribeira de Ourém que é ao poente, e vai pela dita estrada sempre águas vertentes até ao Vale Meão e daí se vai direito à Ribeira de Formigais que é ao aguião, e daí pela dita ribeira acima, pelo meio da água até à foz do ribeiro ou Quebrada e até daqui onde começou, parte com o termo de Vila Nova de Ourém».

Desanexação de Formigais 
Em 1701, Formigais foi desanexada de Sabacheira e formou-se como freguesia.
No século XVIII, esta freguesia era uma comenda da Ordem de Cristo que era delimitada pela comenda da Mesa Mestral. As comendas eram territórios atribuídos a eclesiásticos ou cavaleiros de ordens militares, como reconhecimento de serviços prestados. A comenda de Sabacheira foi concedida aos religiosos do Convento de Cristo, englobando, na altura, as seguintes aldeias: da Sabacheira à aldeia da Comenda, incluindo passo e celeiros; aldeia do Furadouro; aldeia de Chão de Maçãs, aldeia de Monchite; aldeia do Vale Meão; aldeia de Vale de Lobos e a respectiva quinta; aldeia de Cassinheira; aldeia de Chão de Conde; e aldeia do Suimo.

Em 1840, Formigais deixou de pertencer ao território de Tomar e passou para o concelho de Ourém. No entanto, quanto à jurisdição religiosa manteve-se ligada à Sabacheira até 1956, altura em que passou para a Diocese de Leiria-Fátima.

In: Portugal Torrão Natal

Relação dos Celeiros Públicos da Villa de Thomar

A título de curiosidade eis a relação dos celeiros existentes na Villa de Thomar datados de 21 e 22 de Abril de 1757.







(Clicar na imagem para ampliar)

Chancelaria Régia, Livro XI de Consultas

Fonte: Arquivo Municipal de Lisboa

sexta-feira, 1 de julho de 2011

110 anos de luz em Tomar

Foto: "O Templário"
A 1 de Julho de 1901, faz hoje 110 anos, iniciou-se o fornecimento de iluminação pública e particular de electricidade em Tomar.
“Como o fornecimento da energia por meio de motor a vapor se tornava muito dispendioso e como a Câmara não estava em condições de o fazer resolveu-se aproveitar a força motriz da água do rio Nabão e assim foi adjudicado à firma Cardoso Dargent e C.ª o seu fornecimento tendo em 1900 passado para a firma Jean Bourdain e C. ª tendo esta empresa procedido à inauguração da iluminação pública no ano seguinte”, escreve José Inácio da Costa Rosa no livro “Tomar Perspectivas”.
Uma das primeiras ruas a ser iluminada foi a Avenida Marquês de Tomar (acabada de ser criada e assente em estacaria devido ao nível do rio), com candeeiros colocados sobre pedestais em pedra.
Há 110 anos a população da cidade era de 6.575 habitantes distribuídos por 1.428 fogos.

terça-feira, 22 de março de 2011

699 anos após extinção da Ordem do Templo

Foi a 22 de Março de 1312 que a Ordem do Templo, ou Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão foi dada como extinta.


quarta-feira, 16 de março de 2011

Linha Férrea de Nazaré a Tomar - um caso arquivado

No início do século XX, falava-se numa linha férrea que ligaria Nazaré a Tomar, projecto que nunca se chegou a concretizar, apesar de ser discutido diversas vezes no parlamento e ser inclusive aprovada pela CP.

Os documentos publicados no blogue http://auren.blogs.sapo.pt/ comprovam isso mesmo.

A questão do estabelecimento de uma via-férrea entre Tomar e Nazaré ou entre esta localidade e Idanha-a-Nova foi por diversas vezes debatida no parlamento, desde os começos do século XX. Chegou inclusive a ser aprovado pela CP o projecto de construção e a proposta a apresentar ao governo com vista ao estabelecimento de um contrato para a sua construção e exploração.

A referida ligação ferroviária, em qualquer dos projectos, previa o estabelecimento de duas estações na área do Concelho de Ourém, concretamente em Fátima e em Vila Nova de Ourém. Apesar disso, o comboio nunca chegou a apitar nestas estações…

A Gazeta dos Caminhos de Ferro dá-nos conta das iniciativas levadas a efeito durante 1926. Por exemplo, a edição nº. 931 de 1 de Outubro refere-se ao estudo que a CP realizou para avaliar do interesse na construção da referida linha.

Um mês depois, concretamente a edição nº. 933 da mesma publicação, com data de 1 de Novembro, referiu as pressões exercidas pela Câmara Municipal de Alcanena no sentido da suspensão do concurso.

Porém, a Gazeta dos Caminhos de Ferro nº 935, de 1 de Dezembro, informa acerca da realização do concurso, o que implicitamente revela que a tentativa de suspensão levada a efeito pela autarquia de Alcanena não surtiu efeito.

Finalmente, a edição nº 936, de 16 de Dezembro, informa acerca da aprovação do projecto de construção e divulga as conclusões da proposta a apresentar ao governo.

Enviado por Carlos Gomes

sábado, 25 de dezembro de 2010

Evocação do Patrono da Charola S.Tomás Becket

Por ocasião dos 850 anos da fundação do Castelo e Cidade Templária de Tomar, por seu mestre D.Gualdim Pais, a "Associação Cultural Templ'Anima" de Tomar evoca o dia de S.Tomás de Cantuária, patrono da Charola Templária.


Tomás Becket nascido em Londres em 1118 (no mesmo ano de D.Gualdim Pais) foi nomeado arcebispo de Cantuária em 62. (por coincidência significativa: no mesmo ano em que se completavam as muralhas e o primitivo oratorio de nosso castelo e Gualdim apresentava o 1º foral a Tomar). Em conflito com o rei Henrique II acerca dos direitos eclesiais, acabou sendo assassinado a 29 Dezembro 1170 por quatro cavaleiros do rei, dentro de sua própria catedral.

O mártir foi canonizado em apenas 3 anos (1173) e o seu culto apregoado por toda a cristandade. Torna-se patrono dos sargentos do Templo.

15.30-Relato da Testemunha Edward Grim - Vitae S.Thomas (leitura)
15.45- Entremêz musical
16h- Epìstola de Tomás e confronto dos 2 poderes real e eclesial(diálogo – teatralizado- em verso, entre arcebispo e soldado do rei)
16.15- Entremez musical
16.30- O culto do Cantuariense na Europa(p/ orador convidado- Dr. Paulo Loução - da Ésquilo)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Bombeiros Municipais de Tomar - Breve História (V)

A 3 de Outubro de 1971, foi inaugurado o actual quartel localizado na rua de Santa Iria. O Terreno foi cedido pelo Sr. Alfredo Fernandes e a construção deve-se, em particular, a dois construtores civis de Tomar, Manuel Ribeiro e Fernando Graça. No actual quartel está também instalado um moderno Centro de Coordenação Operacional Distrital, bem como sediados os serviços da inspecção distrital de Bombeiros de Santarém.
No início da década de 80 por iniciativa do jornal “Cidade de Tomar” e de J. Gonçalves Venâncio, efectuou-se uma homenagem aos bombeiros através de uma subscrição pública, à qual aderiram centenas de tomarenses. Consistiu na colocação em frente do quartel duma Estátua ao Bombeiro da autoria do Mestre Gustavo Teles de Faria. A estátua representa um Bombeiro na atitude de entregar uma criança salva num sinistro, usando o mesmo, um uniforme de “luta” onde se inclui um capacete com viseira.
Em 2002 o Corpo de Bombeiros (Tomar, 2002) contava com um total de 87 homens distribuídos por 4 secções, um Núcleo de Mergulho e um Grupo de Dadores de Sangue.


Bombeiros Municipais de Tomar - Breve História (IV)

Estes elementos foram instruídos por Amadeu Vieira da Silva, chefe da secção dos Bombeiros Municipais do Porto e tiveram o seu baptismo de fogo num incêndio que deflagrou nuns edifícios situados num gaveto da rua de S. João.
Em 14 de Abril de 1924, a Câmara exarou em acta, por proposta do vereador Gonçalves Ribeiro, um voto de louvor e agradecimento a D. Emília Neves Torres Pinheiro e Felicidade Gomes Madureira, pela iniciativa que tomaram de promover uma subscrição para angariar donativos para a compra duma bandeira para o Corpo de Bombeiros Municipais.
Só passados sete anos, mais precisamente em 1929, é que a Câmara Municipal, então sob a presidência de Luís António Aparício, adquire duas moto-bombas Magirus, uma Danumbia e outra Liliput, uma maca rodada e outro material, onde se incluíam umas escadas italianas, acabando com algumas dificuldades então existentes, que passava por puxar os carros de incêndio pelas ruelas de empedrado irregular.
A importância de Tomar, levou a que em 27 de Julho de 1934, se realizasse nesta cidade o IV Congresso dos Bombeiros Portugueses, estando nessa altura, Manuel de Jesus Ferreira, À frente dos destinos da autarquia. Também nesse ano foi adquirido o primeiro Auto Pronto-Socorro. Só passados dez anos se adquiriu uma outra viatura, esta por subscrição pública, que foi transformada em ambulância.
A Câmara, de 1956 a 1957, sob a presidência de Fernando Marques de Oliveira, adquiriu uma viatura Jeep e um Pronto-socorro. De 1960 a 1971, estando o Dr. Aurélio Ribeiro como presidente de autarquia foram adquiridas diversas viaturas para fazer face ao aumento da sinistralidade; um Pronto-socorro, um carro nevoeiro e uma Ambulância comparticipada pelos Serviços de Assistência. Em 1970, a Fundação Calouste Gulbenkian ofereceu uma ambulância e foi adquirido um Land-Rover, que foi comparticipado pelo Conselho Nacional Dos Serviços de Incêndios.
Relativamente às instalações, só em Janeiro de 1932 é que o quartel, situado nas traseiras da Câmara Municipal, foi transferido para a rua Sacadura Cabral, junto à Várzea Pequena. Em Julho de 1934 o quartel mudou para a então rua da Graça, hoje, hoje AV. Cândido Madureira e onde se situa o actual edifício da Misericórdia.

As diversas instalações dos Bombeiros de Tomar

Bombeiros Municipais de Tomar - Breve História (III)

Em 1902, na sessão de 30 de Maio, o vereador Silvério, afirmando que ficava por aplicar a verba destinada à “Procissão do Corpo de Deus”, que esse ano se tinha realizado e carecendo-se de novo material para o Serviço de Incêndios e de alguns reparos no existente, propunha que para isso fosse transferida aquela verba para aqueles serviços, o que foi aprovado. Só em 30 de Abril de 1917 se voltou a sentir a necessidade de um corpo de Bombeiros, com a criação de uma Corporação de Bombeiros Voluntários, que solicitou uma sede e diverso material. A autarquia resolveu colocar à sua disposição, após a sua organização, todo o material de incêndios que possuía, casa, fardamentos, além de efectuar um seguro. Passados dois anos, os vereadores Pereira e Raimundo propuseram que fosse criada uma Corporação de Bombeiros, um indício que a anterior tentativa não tinha vingado. Em 1920, o então Presidente da Comissão Executiva propôs a aquisição duma bomba de incêndios, uma escada Magirus e mangueiras, que foi apoiada por unanimidade.
No ano de 1921, foi então apresentado pelo Vereador Gonçalves Ribeiro, o regulamento do Corpo de Salvação Pública, o qual foi estudado e aprovado na sessão de 7 de Dezembro, devendo ser submetido à apreciação da Câmara Municipal, o que ocorreu em 24 de Fevereiro de 1922.
O material existente era na sua maioria antigo.


Consistia em três bombas manuais, uma do tipo Flaut de 1865, uma outra francesa, do tipo Jardim de 1850, ambas com mais de 50 anos, salvando-se uma bomba de caldeira manual de 1921, tipo Guilherme Gomes Fernando, um grande bombeiro português, que conquistou em Paris, no ano de 1900, o primeiro prémio internacional de bombeiros. Para terminar o inventário de material, contavam-se ainda dois carros para transporte de material, um deles com escadas portuenses. Estes carros eram de tracção humana de forma a não perder tempo a aparelhar animais, em caso de incêndio, cujo alarme estava instalado na torre sineira da Igreja de S. João e que alertava os dezoito abnegados bombeiros, fundadores do corpo, em caso de sinistro.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Bombeiros Municipais de Tomar - Breve História (II)

Em 10 de Janeiro de 1843, ventilando-se a questão das Posturas e Regulamentos para o estabelecimento de uma bomba e Companhia de Socorros para acudir aos incêndios, a autarquia deliberou, tendo em consideração que a Companhia de Seguros Fidelidade tinha na vila muitos prédios seguros e de boa monta, que a mesma fosse convidada a colaborar para esta providência. Em Fevereiro, a referida Companhia declarou-se disposta a colaborar desde que outras também colaborassem, tendo então a autarquia oficiado também a Companhia de Seguros Bonança e Lezírias. Em 1858, foi então ponderada a aquisição de duas bombas para acudir a incêndios com a comparticipação das Companhias já citadas, ficando as bombas sob a inspecção e guarda da Câmara.
No ano de 1880 aparece a primeira referência expressa ao pelouro das “Obras Públicas e Incêndios”, a cargo de António Augusto Macedo.

Bombeiros Municipais de Tomar - Breve História (I)

A 28 de Janeiro de 1923 a Câmara Municipal de Tomar, sob a presidência de João Torres Pinheiro, após o trabalho desenvolvido pelo vereador do pelouro dos Incêndios, José Gonçalves Ribeiro, criou o Corpo de Salvação Pública. O Regulamento foi aprovado em Sessão de Câmara em 24 de Fevereiro de 1922.
Para colmatar a inexistência de um local adequado para quartel, foram adaptadas as traseiras do edifício dos Paços do Concelho, onde se localiza a Câmara Municipal de Tomar.

Recorda-se que em 1842, a rainha D. Maria, após um enorme fogo que ocorreu na vizinha cidade de Torres Novas, ordenou que todas as câmaras tomassem providências para o combate aos incêndios. A Câmara de Tomar tomando conhecimento dessa portaria real, solicitou à sua congénere de Lamego esclarecimentos sobre o modo como se encontrava constituída naquela cidade a Companhia de Socorros de Incêndios.


Primeiros Bombeiros de Tomar

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Seminário Ordem do Templo e Templarismos

Dias 23 e 24 de Outubro
Será um fim de semana de reflexão desinibida sobre a herança templária, consoante o seguinte alinhamento:

Ordem do Templo - as origens; ordenação canónica e jurídica (Regra e Estatutos); história institucional; segredos e enigmas;

Templarismos - posteridade legítima (Ordem de Cristo = Ordem Templária de Portugal); usurpações e usurpadores (da tradição maçónica à Nova Era);

Tomar à luz do paradigma hierosolimitano - cartografia do lugar santo, como pólo ontofânico e ontogénico;

Visita à cidade, ao Convento de Cristo e ao Castelo de Almourol.

Documentos a distribuir para análise e reflexão: Regra, Bula de instituição da Ordem de Cristo, Cartulários do Processo contra os Templários, Livros de Cavalaria nacionais, Lusitânia Transformada, etc.

PROGRAMA

SÁB 23/10
10.30 Ponto de Encontro Praça da República
Roteiro Centro Histórico: igreja S. João Baptista, Sinagoga, Moinhos de El-Rei, igreja St Maria do Olival
Almoço na Estalagem de Santa Iria no Mouchão
14.30 Sessão de estudo e reflexão: Ordem do Templo e Templarismos (ver programa detalhado)
Porto de Honra no Posto de Turismo
20:30 Jantar Convento de Cristo, seguido de Tertúlia.

DOM 24/10
10.30 Visita Guiada ao Convento de Cristo
Almoço
15.00 Percurso de Tancos até Almourol (em barco da junta de freguesia reservado para o efeito), seguida de visita guiada ao castelo.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

A Cidade de Tomar

"Nas margens do Nabão, encantador rio de poéticas margens, rivais das do Mondego, cujos sinceirais nos convidam com as suas sombras e frescura ao devaneio e à poesia, encontra-se a cidade de Tomar, na Província da Estremadura, distrito de Santarém.
Pela sua formosura, pela sua importância, pelos seus monumentos, pela sua indústria, pelo seu comércio, pela sua agricultura e pela sua situação privilegiada, Tomar é uma visita obrigatória para os turistas, constituindo uma das nossas primeiras zonas de turismo nos itinerários daqueles que pretendem visitar as belezas, a história e a arte do nosso belo Portugal.
Na sua parte monumental representa Tomar um verdadeiro repositório da arte do antanho, talvez a mais rica em arquitectura e arqueologia, constituindo um dos vértices do triângulo Batalha, Alcobaça, Tomar, cujas pedras gritam eternamente ao Mundo o poderio, o esplendor, do tempo das nossas conquistas.
Sobranceiro à cidade, no cimo do monte poente, qual sentinela vigilante que não deseja abandonar o seu posto nestes tempos de paz e de progresso, o velho Castelo de Gualdim Pais olha a cidade que se estende as seus pés, na labuta diária duma povoação que vive para o trabalho.
Edificado por D. Gualdim Pais em 1160, é bem formoso nas suas linhas fortes, mas elegantes, com a sua torre de menagem sobrelevando os campos circundantes.
Dentro do seus seus muros, a Igreja, preciosa jóia, em forma poligonal, tendo no centro a célebre e inigualável charola, riquíssima e original, com os seus rendilhados, as suas figuras, as suas colunas e os seus arcos bisantinos.
Depois o Convento de Cristo, de era posterior, todo ele um compêndio de arte e sumptuosidade dos nossos antepassados, cuja completa descrição é de todo impossível nos limites deste artigo. São os claustros dos Filipes ou de D. João III, o de Cemiteric, o Cruseiro, e a mundialmente conhecida Janela da Casa do Capítulo, verdaeiro mimo de arte e de beleza, no mais puro manuelino, onde na rija pedra encontramos gravada toda uma epopeia das épocas dos nossos descobrimentos e aventuras marítimas.
Ainda na parte monumental são dignos de menção:
A Capela de Nossa Senhora da Conceição em pura renascença; a interessante e alva capelinha de Nossa Senhora da Piedade, de especial devoção dos tomarenses religiosos; A Igreja Santa Maria dos Olivais, na margem esquerda, com o túmulo de D. Gualdim Pais; a Capela de Santa Iria, a vítima mártir do feroz Britaldo; A Igreja de São Francisco e da Misericórdia; O edifício dos Paços do Concelho; a Sinagoga e finalmente, no coração da cidade, em plena Praça da República, a Igreja São João Baptista, com o seu púlpito, a sua capela-mor e os seus quadros. Junto à cidade, a capela de São Lourenço e Padrão anexo, comemorativos da junção das tropas do Condestável com as do Mestre de Aviz, de onde partiram para essa jornada épica, grandiosa e sublime Batalha de Aljubarrota."

In: Boletim da Liga dos Bombeiros Portugueses, Maio de 1932 (ano da criação do Corpo de Salvação Pública de Thomar)

Agradecimento:
A José Henriques Poseiro da Liga dos Amigos dos Bombeiros de Tomar


Jardim da Várzea Pequena - 1932

domingo, 18 de julho de 2010

Um Mapa na História

JORNADAS EUROPEIAS DO PATRIMÓNIO 2010

As Jornadas Europeias do Património, iniciativa do Conselho da Europa e da União Europeia, realizam-se anualmente no mês de Setembro, tendo como principal objectivo sensibilizar a população para a importância da protecção e da valorização do Património.
Em Portugal, as Jornadas Europeias do Património realizar-se-ão este ano nos dias 24, 25 e 26 de Setembro.

O IGESPAR, coordenador nacional do evento, lançou o tema "PATRIMÓNIO: UM MAPA DA HISTÓRIA", pretendendo vincar a estreita relação entre os sítios patrimoniais e os acontecimentos históricos que lhes estão associados. O Património, nas suas diferentes manifestações, documenta um percurso espaço-tempo das sociedades; viajar pelas cidades, percorrer o território observando vestígios, interpretando os cenários urbanos e rurais de factos históricos e políticos, da humanização das paisagens, da produção técnica e científica, literária ou artística, é como ter, entre mãos, um inesgotável mapa que nos ajuda a entender de onde viemos e a escolher para onde podemos seguir.

O IGESPAR convida as entidades públicas e privadas a associarem-se a esta iniciativa através da organização e implementação de acções e actividades que estimulem a aproximação física e emocional do público aos monumentos, conjuntos e sítios, incentivando-o a conhecer e explorar, no património, o mapa da História.

Sugestões de actividades culturais:
- visitas guiadas e temáticas;
- espectáculos artísticos (música, dança, teatro, circo;
- exposições de artes plásticas e visuais;
- concertos e apontamentos musicais (música antiga e contemporânea);
- animação de rua, recriações e encenações históricas;
- workshops, palestras, conferências, debates e seminários;
- maratonas fotográficas;
- sessões de leitura;
- rotas patrimoniais, itinerários culturais, peddy-papers e rally-papers;
- ateliers lúdicos e oficinas pedagógicas;
- jogos tradicionais, de época e jogos de descoberta;
- feiras e festivais;
- lançamento de publicações;
- documentários, filmes.

As propostas de actividades deverão ser enviadas até ao dia 30 de Julho.

sábado, 17 de julho de 2010

Sugestão de leitura


Só agora tive a oportunidade de ler esta obra magnífica de José Rodrigues dos Santos publicada em 2005. Trata-se de facto de um livro que deve ser lido, não só pela história envolvente, mas também e principalmente pelos factos Históricos referidos. 
O protagonista, Tomás Noronha" consegue desvendar todo o mistério em redor do grande navegador Cristóvão Colombo, descobrido a sua verdadeira identidade e nacionalidade. Ora, numa das imensas viagens realizadas pelo Tomás Noronha em busca de factos para a sua pesquisa onde se irá encontrar com o grão-mestre da Ordo Militaris Christi, destaco a realizada a Tomar, onde no livro vários pontos da cidade são descritos. Entre eles a Praça da República que aqui transcrevo:
"(...) O permanente arrulhar dos pombos enchia a Praça da República de uma musicalidade gorgulhante; eram pássaros gordos, bem alimentados, a debicarem pela calçada e a esvoaçarem em saltos, adojando de um lado para o outro, enchendo os telhados, cobrindo as pequenas saliências nas fachadas, pendurando-se na estátua de D. Gualdim Pais, a enorme figura de bronze erguida no ponto central do largo. (...)"

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Povo de Thomar

 Da revista "Ilustração Portugueza" nº251 de 12 de Dezembro de 1910, exemplar gentilmente enviado pelo meu grande camarada David Caetano e cedido de igual modo pelo Sr. João Barroca aos quais agradeço, aqui fica um testemunho em que o povo de Thomar viajou até Lisboa para saudar o governo provisório, demonstrando assim a mais franca leal adesão à obra da República.


 Povo de Thomar a caminho do Terreiro do Paço onde foi cumprimentar os membros do Governo Provisório.

domingo, 4 de julho de 2010

Sinagoga de Tomar na série de selos "as Judiarias de Portugal"

A Sinagoga de Tomar é o único templo judaico proto-renascença existente actualmente no país.
Fica situada na actual Rua Dr. Joaquim Jacinto, num nível inferior ao do pavimento da rua. Antigamente designava-se esta rua de Judiaria, onde habitavam muitos judeus, que revelaram um importante papel no desenvolvimento da cidade de Tomar nos sécs. XIV e XV, foi construída por ordem do Infante D. Henrique em meados do séc. XV. Esta tem uma construção de planta quadrada com um abobadamento que assenta em quatro colunas.
Para efeitos acústicos, encontram-se nos cantos da Sinagoga oito bilhas de barro viradas ao contrário, estas encontram-se embutidas nas paredes.
Ao longo dos séculos, a Sinagoga teve várias funções de utilização. No séc. XVI foi transformada em Cadeia Municipal, passando depois para armazém no séc. XIX. Dr. Samuel Schwarz, em 1923, compra a Sinagoga e restaura-a, doando-a em 1939 ao Estado.
A Sinagoga em 1942/43 é alvo de obras de adaptação para acolher o actual Museu Luso-Hebraico Abraham Zacuto.

Este monumento foi escolhido para o lançamento nacional da série que vai acontecer na próxima segunda-feira, dia 5 de Julho, pelas 15 horas.
Na Sinagoga entre as 14.30 e as 17.30 horas vai funcionar um Posto de Correios, onde os filatelistas e o público em geral podem adquirir a série de selos e apor o carimbo de primeiro dia na correspondência apresentada.

Imagem: jornal "O Templário"

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Lançar sortes a Tomar

Em "História de Tomar" Vol I de Amorim Rosa pode ler-se o seguinte:

" ...Antes da construção do Castelo de Tomar, um Mestre sabendo que a cidade tinha sido destruída pelos mouros e caso a povoassem ali seria um lugar fraco. Então o Mestre mandou lançar sortes em três cabeços que além-rio existia. Lançaram sortes por três vezes e por três vezes a sorte caíra naquele monte onde agora se encontra o Castelo, logo acordaram em povoar nesse monte. Quando o Mestre e sua comitiva passou naquele que seria o monte a povoar, os que iam à frente encontraram um porco montês e então começaram a gritar: Tomá-lo! Tomá-lo! O Mestre entretanto chegou e achou o porco morto, logo disse que houvesse ali o dito nome cabeço TOMAR. Depois de povoado vem o Mestre Dom Gualdim Pais e faz o Castelo..."

Passados mais de 850 anos é hora de relançar sortes a Tomar, aliás, as sortes estão lançadas e aqueles que têm a capacidade para tal já viram que Tomar está a mudar e que melhorias se adivinham. Os mais cépticos é que continuam a sua luta contra a mudança, contra a boa sorte que se adivinha. É a natureza dos seres humanos mais retrógradas a manifestar-se, pois é-lhes muito difícil aceitar qualquer tipo de mudança.
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